segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Crepúsculo




"E então o leão se apaixonou pelo cordeiro."
"Que cordeiro estúpido."
"Que leão doentio e masoquista."

Edward e Bella em Crepúsculo.


Passei anos me dizendo fã de livros de vampiros. Era mentira. Não que eu não ame Anne Rice (Lestat ainda é o vampiro para quem estou guardando as minhas veias mais suculentas), a verdade é que eu gostava da literatura vampiresca da Anne Rice e só dela. O preconceito que eu tinha dos outros livros que se aventuravam nesse universo era enorme. Apenas madame Rice poderia criá-los, o mundo vampiresco era dela por direito.
Só passei por cima desse preconceito depois de ouvir tão bem, e tantas vezes, sobre o livro Crepúsculo de uma amiga que tinha se viciado na série. Ela, que eu tinha obrigado a assistir Entrevista com o Vampiro alguns anos antes.
Lá fui eu, com as mais baixas expectativas, me lançar com a cara e a coragem no mundo criado por Stephanie Meyer. Mal sabia que meus sólidos conhecimentos sobre vampiros estavam para se desmoronar.
O que me surpreendeu em Crepúsculo, e me fez não largar os livros até terminar toda a série, não foram os vampiros, não foram os lobisomens e, acreditem, não foi o romance entre o leão desequilibrado e o cordeiro desastrado, mas a forma como entrei na mente da personagem principal. Eu era Isabella Swan, via como ela, pensava como ela e me esquecia de respirar sempre que ela se esquecia. Nunca, em anos e anos de leitura, fui tão envolvida em uma trama quanto em Crepúsculo.
Se é verdade que lemos para sentir coisas que nunca vamos sentir na vida real, esse foi o ingresso para uma “vida de segunda mão” mais realista que já tive.
É claro que ainda estou esperando conhecer um vampiro de fato e viver uma imortalidade eletrizante, mas esse passeio no corpo de Bella foi uma experiência da qual pretendo me lembrar para sempre.
Portanto, se você quer se apaixonar perdidamente por um vampiro, ter um amigo lobisomem e se descobrir com super-poderes, leia esse livro antes de qualquer outro e se perca nele.

Sinopse:
Quando Isabella Swan se muda para a melancólica cidade de forks e conhece o misterioso e atraente Edward Cullen, sua vida dá uma guinada emocionante e apavorante. Com corpo de atleta, olhos dourados, vez hipnótica e dons sobrenaturais, Edward é ao mesmo tempo irresistível e impenetrável. Até então, ele tem conseguido ocultar sua verdadeira identidade, mas Belle está decidida a descobrir seu segredo sombrio.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Apresentação

Saio de trás da cortina e caminho para o meio do palco, devagar, muito devagar. Paro na frente do microfone, tento enxergar as pessoas na platéia apesar do holofote que me cega. Não consigo ver além da primeira fileira, mas qual a diferença, cinco pessoas, quinhentas. Sinto-me intimidada com a atenção de todos, mas tenho que continuar.
“Em primeiro lugar eu quero agradecer a visita de todos vocês”
Um lugar comum, estou segura enquanto as coisas continuarem assim.
“Venho adiando esse blog há muito tempo, e finalmente tomei coragem para cria-lo. Espero que gostem e que voltem sempre.”
Por mim a apresentação pararia aí, o que mais poderia falar? Mas as pessoas esperam mais, elas sempre esperam mais.
“Quero ressaltar que não tenho o desejo de fazer desse blog um diário, mas postar algumas coisas pessoais são inevitáveis, como o que eu ganhei de presente de aniversário... quando eu fizer aniversário, o que vai demorar um pouco ainda...”
A gagueira aparece, velha inimiga.
“Bom, se vocês quiserem fazer perguntas...”
Um sorriso amarelo no rosto e uma voz gritando na cabeça: “Porque você disse isso?”.
Uma mulher na primeira fila levanta a mão. Tento fingir que não vi, mas ela pigarreia e fica de pé. Cedo ao inevitável.
“A senhora tem uma pergunta?”
Rezo para que pergunte onde fica o toalete, eu saberia a resposta dessa.
“Sim. Acho que todos gostaríamos de saber porque você acha que esse blog pode ter algum interesse a nós?”
Boa pergunta.
“E porque não? Big Brother é pico de audiência.”
Dou uma risada falsa, algumas pessoas me acompanham, acho que não estavam prestando atenção. Outra mulher se levanta, não gosto da cara dela.
“Qual é o seu background?”
“Como?”
“De onde você veio? Sua história, queridinha.”
Não acredito que ela me chamou de queridinha!
“Bom, eu estudei e...” passado alguns momentos “cheguei aqui”
Ótima resposta! Poderia ser mais articulada?
Várias pessoas se levantam.
“Onde você estudou?”
“No Colégio...”
“Qual sua banda favorita”
“Aerosmith”
“Você é contra o governo Bush?”
“Sim, porque ele...”
“Onde você comprou essa calça, é de marca?”
“Não”
E vai ficando pior.
“Qual o nome de solteiro da sua mãe”
“Fátima?”
“Você prefere gatos ou cachorros?”
Cachorros, eu acho...
“Qual sua comida favorita?”
“Miojo...”
As luzes estão mais fortes do que nunca, meu estômago revira e luzes piscam na minha frente. Saio correndo do palco. Acho que ouvi alguém me perguntar qual era a capital da Bulgária.
Uma a uma as pessoas vão deixando seus lugares como se o que aconteceu fosse tão normal quanto torradas no café da manhã.
A mulher da primeira pergunta comenta com a pessoa do lado:
“Espero que ela se expresse melhor escrevendo”